Todas as organizações, sejam elas com ou sem fins lucrativos, necessitam gerir sua estrutura de forma a alcançar os objetivos a que se propõem. Apesar de os propósitos de ambas se distinguirem – têm missões e objetivos totalmente diferentes –, desenvolvem produtos ou serviços a partir do trabalho de pessoas e da utilização de recursos.
Nesse sentido, convivem com situações semelhantes e enfrentam desafios também semelhantes. Ambas se defrontam com um mundo em constante processo de mudanças, cada vez mais rápidas, envolvendo uma diversidade e uma complexidade cada vez maiores.
As empresas privadas têm enfrentado essas mudanças empregando sistemas de gestão cada vez mais flexíveis, ágeis e capazes de se adaptarem às novas situações. Têm conseguido não apenas enfrentá-las, como também criar novas demandas e tecnologias que, por sua vez, aceleram ainda mais esse processo.
A administração pública e as organizações da sociedade civil que atuam no campo social não poderiam escapar dessa realidade. O agravamento das questões sociais impõe a necessidade de responderem à sociedade de forma imediata, muitas vezes necessitando mesmo adaptar-se às novas circunstâncias. E a sociedade tem exigido cada vez mais participação nas definições de prioridades e transparência na gestão dos recursos públicos, principalmente daqueles utilizados em programas e projetos sociais.
Para enfrentar o enorme desafio de suplantar e inverter sua atuação descontínua e reativa nesse campo, buscando tornar-se mais ativa e ágil, a administração pública vem adotando alguns instrumentos de gestão com maior capacidade de monitoramento dos programas prioritários do governo e investindo na formação de quadros profissionais com perfis mais modernos e sensíveis às necessidades da sociedade, medidas essas ainda extremamente tímidas diante de nossa realidade social.
As organizações da sociedade civil, por sua vez, têm convivido com as exigências de agências e órgãos financiadores, que vêm dando crescente importância à forma como os recursos concedidos para o desenvolvimento dos projetos é gerida, ou seja, à capacidade gerencial e administrativa da instituição em demonstrar clara e eficientemente a utilização desses recursos.
Uma boa justificativa e uma clara definição de objetivos e resultados pretendidos – com claros indicadores qualitativos e quantitativos – são elementos fundamentais de um projeto. Da mesma forma, é de grande importância uma correta e transparente prestação de contas. No entanto, outros requisitos são necessários e igualmente importantes.
Isso tem levado as organizações a procurar rever, quando necessário, sua forma de funcionamento, reestruturando-se ou modernizando- se administrativamente. Além do mais, tornou-se fundamental investir na capacitação de seu pessoal, para que seu desempenho permita responder a essas exigências.
Cabe a elas, portanto, o desafio de ir além de boas intenções e boas propostas, qualidades que caracterizam a maioria delas. É preciso que suas ações sejam desenvolvidas de forma eficiente, eficaz, ágil, participativa e transparente, superando a informalidade e buscando a concretização de objetivos comuns, com resultados capazes de interferir na realidade, transformando-a.